Fez (UNA) – Organizada pela Universidade Euro-Mediterrânica na cidade de Fez, Reino de Marrocos, e com a participação de figuras internacionais, o Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, juntamente com diversos acadêmicos e pensadores de 75 países e parceiros da universidade, com a presença de mais de 2000 pessoas, teve como orador principal na cerimônia de abertura Sua Excelência o Secretário-Geral da Liga Mundial Muçulmana, Presidente do Conselho de Estudiosos Muçulmanos, Sheikh Dr. Muhammad bin Abdulkarim Al-Issa.
Em seu discurso, Sua Excelência destacou a importância do tema da conferência, que aborda uma questão importante relacionada ao nosso mundo civilizado e à sua transformação cognitiva, que ocorreu gradualmente nos últimos séculos, a começar pela revolução cognitiva dos séculos XVI e XVII, que levou o homem do pensamento materialista tradicional à expansão do método científico experimental, cujos princípios foram estabelecidos por estudiosos muçulmanos entre os séculos X e XI, até a revolução da inteligência artificial, que transformou a máquina de sua função de memória digital limitada ao armazenamento de conhecimento em analista e geradora de ideias.
Sua Excelência enfatizou a necessidade de que a revolução da inteligência artificial se baseie numa descrição ética unificada, em consonância com a nossa humanidade compartilhada, apresentando uma visão abrangente a este respeito que inclui a ênfase na necessidade de definir valores consensuais antes de se estabelecerem sistemas de inteligência artificial, especialmente em informações relacionadas a religiões, raças ou culturas, para evitar que essa inteligência se torne uma ferramenta negativa na promoção de conceitos de ódio e racismo ou no apoio a teorias de choque e conflito civilizacional, além de obrigar as empresas envolvidas à transparência e à responsabilização, e estabelecer limites rigorosos em áreas sensíveis e perigosas e, em geral, em decisões cruciais, visto que a decisão final nestas deve ser humana.
Sua Eminência enfatizou a necessidade de diferenciar entre homem e máquina. O homem é livre para pensar, e isso o conduz ao caminho correto quando seu pensamento é correto. Já a máquina, e em especial a inteligência artificial, não é livre, mas sim vinculada à vontade de quem a alimenta, seja com fatos ou com informações enganosas. Consequentemente, ela não possui consciência nem vontade própria. Sua Eminência ressaltou que nosso futuro civilizacional com a inteligência artificial está ligado a nós, e não à inteligência em si, pois, em suma, é ela que nos representa em seu vasto espaço, conforme os textos de nossa delegação a ela.
(Eu terminei)



